segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

SAUDADES DELA

Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sua casa e ela na casa dela, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir ao banco e ela para o dentista, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber se ela continua vestindo o casaquinho em ambiente mais frio.
Não saber se ela ainda usa aquele vestido que você deu de presente.
Não saber se ela prestou o vestibular, e começou a faculdade como prometeu.
Não saber se ela continua frequentando os mesmos restaurantes que vocês frequentavam juntos.
Se ela se matriculou no curso de inglês,
se continua preferindo balas “Fruittella”,
se ela continua preferindo Rodizio de Massas ou Galeto.
se ela continua preferindo vinho de abacaxi,
se ela continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados, e os dentes cobertos com aparelho ortodôntico,
se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor,
se ela continua beijando tão bem,
se ela continua amando Cheeddar diferenciado do MC Donald´s,
se ela continua detestando cebola,
se ela continua tingindo os cabelos de louro,
se encontrou alguém que elogie seus lábios, e critique quando esquece de modelar as sobrancelhas.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos,
não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento,
não saber como frear as lágrimas diante de uma música,
não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ela está mais bela, e ao mesmo tempo elogia-la quando vê uma foto.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e isso doer.
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...


*Texto adaptado por Diego Cavaleiro.

2 comentários:

Prof. Junior disse...

Gostei demais desse texto! Lindo! Saudade dói mesmo! Pelo amor de Deus!!! Abraços!!!

Anônimo disse...

AMEI ESTE TEXTO !!!BJS!!!